Era uma vez uma garota que sabia
Sabia falar
Mas não sabia dizer
Sabia escutar
Mas não sabia ouvir (seu coração)
Sabia encostar
Mas não sabia tocar
Sabia morrer
Mas não sabia viver
Mas algo que ela sabia,
Era como te prender
Sua vida era frágil
Frágil como uma pétala de vidro caindo
Dura, congelada, fria
Mas tão linda que não se sabia
Se ela pediu por essa beleza
Porque com toda sua tristeza
Ela ainda sabia como te prender
Como te fazer
Como te morrer
Ela sempre tinha dois caminhos,
Mas como nunca sabia qual pegar,
Começava, parava no meio e pegava o outro.
Começava, parava no meio e pegava outro.
Terminava, parava no meio e pegava outro.
Mas até que um dia sua pétala de vidro terminou de cair
E não se assustem, não se preocupem
Ela não tinha se quebrado
Não podem imaginar a decepção da garota
Ao perceber que sua vida não tinha terminado
Pois sua vida é frágil,
É frágil como um curativo
Prestes a ser arrancado
Tudo que ela precisava
Era de um pouco de vontade
Para puxar de uma vez.
Mas ela não tinha essa vontade,
Pois não sabia ter.
Não sabia viver
Não sabia morrer.
*João Victor